É o que garantem um guarda de trânsito, um agente secreto que se veste de mulher, um assassino... Conheça a incrível coleção de pessoas que dizem ser a verdadeira reencarnação de Jesus Cristo
Sergei não nasceu de mãe virgem nem ganhou presente dos 3 reis magos. Álvaro ainda não aprendeu a multiplicar pães e faltou às aulas de transformação de água em vinho. José Luis não andou sobre as águas e Jim não morreu na cruz. Mas isso não quer dizer que não façam milagres. Alguns até ganham certa fama por isso: fiéis com câncer alegam que foram curados por eles. Já outros, como Marshall, lideram suicídios coletivos. A maioria serve como conselheiro, com críticas à sociedade e à Igreja, e profetiza sobre o fim do mundo. Todos dizem que, em algum momento da vida, receberam um aviso e missão divinos. Em comum, uma convicção: eles são Jesus Cristo.
São dezenas de pessoas. Há exemplos de praticamente todas as etnias e continentes. Para alguns deles, encarnar o filho de Deus que se sacrificou pelos homens não basta. Suas vidas passadas incluem figuras tão distintas quanto Confúcio e a rainha Elizabeth 1ª da Inglaterra. O japonês Shoko Asahara, mentor do ataque ao metrô de Tóquio que matou 12 pessoas em 1995, diz ser Jesus, Buda e Shiva. Como ele, outros líderes com forte apelo a profecias apocalípticas e críticas à sociedade fundaram seitas que se revelaram perigosas ...
Mas é muito Cristo para pouca profecia. Segundo a Bíblia, o Messias foi um só e apenas ele carrega a verdadeira mensagem divina de salvação. Segundo o Apocalipse de são João, Jesus voltará à Terra para o confronto final com o diabo. É Cristo quem vai conduzir os fiéis ao paraíso. "Há divergências na interpretação das escrituras, mas, no geral, a crença é que os infiéis vão para o inferno com o fim do mundo", diz o professor Edson Martins, doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo.
No texto religioso, o Juízo Final é antecedido por uma série de catástrofes, que incluem chuva de fogo e o ataque de monstros sobrenaturais. "A incoerência é essa. O Cristo vem e traz o fim do mundo. Mas quem se diz Jesus já está aqui e o mundo ainda não acabou!", afirma Rodrigo Franklin, coordenador de graduação da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Crise e fé
Apesar de incoerências como essas, o fenômeno se repete com maior ou menor intensidade nos últimos séculos. Em geral, crises econômicas influenciam na aparição e devoção a esses messias. "Vivemos ondas periódicas, de 10 a 15 anos, quando esses fenômenos aparecem com mais frequência. Nos momentos de ruptura e crise, o imaginário coletivo cria essas crenças sobre o fim do mundo. E esses movimentos devem voltar a surgir, por causa de 2012", diz Franklin. Alguns (maus) intérpretes do calendário maia, ajudados por Hollywood, se encarregaram de disseminar a data.
Nos movimentos messiânicos tradicionais, como era o de Antônio Conselheiro em Canudos, o líder prevê a chegada do messias, mas não se intitula como o próprio. "Suponho que as pessoas que acreditam ser Jesus seriam, no melhor caso, automessiânicas", afirma o historiador de religiões Robert Ellwood, membro da Sociedade Teofísica na América. Ainda quem não diga que seja pode levar a fama. Hailé Selassié 1º, patrono do movimento rastafári, não se rotulava como messias, mas seus seguidores ainda o anunciam como um novo Jesus Cristo.
O que leva um guarda de trânsito na Sibéria, um ex-agente do serviço secreto britânico ou um garçom brasileiro a dizer "Eu Sou Jesus"? Eles são doidos? Psicólogos concordam que esses Cristos poderiam ser diagnosticados com distúrbios de personalidade ou esquizofrenia. Mas só análises específicas poderiam responder à pergunta. No caso do Jesus brasileiro, o psicólogo Henri Cosí, autor de Inri Cristo: Louco, Farsante ou Messias?, aplicou testes para investigar qualquer indício de doença mental. Tanto Inri quanto seus discípulos apresentaram completa sanidade.
Sergei não nasceu de mãe virgem nem ganhou presente dos 3 reis magos. Álvaro ainda não aprendeu a multiplicar pães e faltou às aulas de transformação de água em vinho. José Luis não andou sobre as águas e Jim não morreu na cruz. Mas isso não quer dizer que não façam milagres. Alguns até ganham certa fama por isso: fiéis com câncer alegam que foram curados por eles. Já outros, como Marshall, lideram suicídios coletivos. A maioria serve como conselheiro, com críticas à sociedade e à Igreja, e profetiza sobre o fim do mundo. Todos dizem que, em algum momento da vida, receberam um aviso e missão divinos. Em comum, uma convicção: eles são Jesus Cristo.
São dezenas de pessoas. Há exemplos de praticamente todas as etnias e continentes. Para alguns deles, encarnar o filho de Deus que se sacrificou pelos homens não basta. Suas vidas passadas incluem figuras tão distintas quanto Confúcio e a rainha Elizabeth 1ª da Inglaterra. O japonês Shoko Asahara, mentor do ataque ao metrô de Tóquio que matou 12 pessoas em 1995, diz ser Jesus, Buda e Shiva. Como ele, outros líderes com forte apelo a profecias apocalípticas e críticas à sociedade fundaram seitas que se revelaram perigosas ...
Mas é muito Cristo para pouca profecia. Segundo a Bíblia, o Messias foi um só e apenas ele carrega a verdadeira mensagem divina de salvação. Segundo o Apocalipse de são João, Jesus voltará à Terra para o confronto final com o diabo. É Cristo quem vai conduzir os fiéis ao paraíso. "Há divergências na interpretação das escrituras, mas, no geral, a crença é que os infiéis vão para o inferno com o fim do mundo", diz o professor Edson Martins, doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo.
No texto religioso, o Juízo Final é antecedido por uma série de catástrofes, que incluem chuva de fogo e o ataque de monstros sobrenaturais. "A incoerência é essa. O Cristo vem e traz o fim do mundo. Mas quem se diz Jesus já está aqui e o mundo ainda não acabou!", afirma Rodrigo Franklin, coordenador de graduação da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Crise e fé
Apesar de incoerências como essas, o fenômeno se repete com maior ou menor intensidade nos últimos séculos. Em geral, crises econômicas influenciam na aparição e devoção a esses messias. "Vivemos ondas periódicas, de 10 a 15 anos, quando esses fenômenos aparecem com mais frequência. Nos momentos de ruptura e crise, o imaginário coletivo cria essas crenças sobre o fim do mundo. E esses movimentos devem voltar a surgir, por causa de 2012", diz Franklin. Alguns (maus) intérpretes do calendário maia, ajudados por Hollywood, se encarregaram de disseminar a data.
Nos movimentos messiânicos tradicionais, como era o de Antônio Conselheiro em Canudos, o líder prevê a chegada do messias, mas não se intitula como o próprio. "Suponho que as pessoas que acreditam ser Jesus seriam, no melhor caso, automessiânicas", afirma o historiador de religiões Robert Ellwood, membro da Sociedade Teofísica na América. Ainda quem não diga que seja pode levar a fama. Hailé Selassié 1º, patrono do movimento rastafári, não se rotulava como messias, mas seus seguidores ainda o anunciam como um novo Jesus Cristo.
O que leva um guarda de trânsito na Sibéria, um ex-agente do serviço secreto britânico ou um garçom brasileiro a dizer "Eu Sou Jesus"? Eles são doidos? Psicólogos concordam que esses Cristos poderiam ser diagnosticados com distúrbios de personalidade ou esquizofrenia. Mas só análises específicas poderiam responder à pergunta. No caso do Jesus brasileiro, o psicólogo Henri Cosí, autor de Inri Cristo: Louco, Farsante ou Messias?, aplicou testes para investigar qualquer indício de doença mental. Tanto Inri quanto seus discípulos apresentaram completa sanidade.

























